Os projetos interdisciplinares

Nós, alunos de Design de Moda da Universidade Anhembi Morumbi, todos os semestres, participamos de um projeto interdisciplinar, que encontramos o  desafio de solucionar problemas atuais do mundo envolvendo a moda. Neste post, iremos apresentar alguns dos trabalhos que chamaram nossa atenção do 2° ao 6° semestre.

No segundo semestre 2º eles apresentaram uma proposta a partir do primeiro trabalho desenvolvido no 1º semestre o objeto vestível no qual o tema escolhido foi “Lixo Extraordinário”, onde o objeto chamou atenção para o problema social e ambiental do descarte de sacolas, maços de cigarro e notas fiscais, a partir desse conceito trabalharam no tema corpo andrógeno e sua relação a à proximidade com o corpo ciborgue.

O intuito do projeto é elaborar uma uma vestimenta que transite entre gêneros e que seja capaz de abraçar as características do feminino e masculino. Eles utilizaram peças que já existiam e transformaram completamente em algo novo. Colocaram a referência a personagem Furiosa de Mad Max e escolheram tons terrosos e peças com tecidos mais pesados. A composição do look busca trazer um formato mais indefinido que remete ao andrógeno. Estilo das peças com liberdade e conforto na proposta do look desconstruído.

Já o 3° semestre, o tema do projeto foi Moda e Têxteis, onde o grupo escolhido partiu da imagem da mulher negra e criaram uma persona: uma estudante de design gráfico, que gosta de artes plásticas, uma mulher exploradora e intuitiva, que quer conhecer o mundo e questiona a sociedade. 

Com base nisso, nomearam o trabalho de “Ela Quer o Mundo”, com referências em Jean-Michel Basquiat (grafiteiro americano) e Cazuza (cantor brasileiro). Trabalharam com estamparia manual, onde cada imagem possui um significado e frases de emperramento feminino. Desenvolveram peças versáteis que se transformam com a ocasião ou clima. Por exemplo, eles desenvolveram um macacão em que a calça se transforma em um shorts com o intuito dessa mulher poder aproveitar o dia depois do trabalho. Realmente é um trabalho muito bem desenvolvido e com um lindo tema.

O tema do projeto do 4° semestre foi: Moda e Cultura Brasileira, no qual os integrantes escolheram o nome Fortia – Uniforme Corporativo. A cultura brasileira e o mundo corporativo, focado na área de limpeza e cozinhas de escolas estaduais de São Paulo, pois são corpos dessa estrutura que acabam sendo inferiorizados pela a função que elas exercem. Analisando todo esse cenário, foi visto que os uniformes não eram funcionais e, por isso, o intuito foi resolver esse problema, fazendo com que eles fossem melhores, inclusive economicamente e, consequentemente, melhorassem a auto-estima dessas pessoas.

Uma das reclamações relatadas por essas pessoas responsáveis pela limpeza e cozinha após uma pesquisa de campo realizada em uma escola estadual sem nome divulgado, foi que elas tinham um grande problema com o entre pernas das calças rasgarem com facilidade, então, como o projeto é focado no desperdício mínimo, os integrantes fizeram o mesmo com os recortes do entre pernas, para que a fricção não rasgasse essas partes do vestuário com facilidade. E, como essas funcionárias recebiam apenas 2 conjuntos desse uniforme por ano, a mesma deveria ser feita com técnicas e materiais mais resistente, pois, senão, resultaria pela substituição de peças pessoais para conseguir trabalhar.

O grupo optou pelo o desperdício mínimo, pois eles encontram muitas restrições no momento da escolha do tecido, modelagem e costura das peças. E, de acordo com as normas da ANVISA, as peças deveriam ser 100% algodão e possuir cor branca para que remetesse a higiene. Além disso, foi criado um avental com uma parte de plástico destacável, pois essa parte seria utilizada para o corte de carnes e a lavagem de louça, podendo ser retirada na hora de cozinhar para não esquentar tanto. E para o uniforme de limpeza, foi feita uma roupa mais ergonomicamente confortável e ajustável, já que eles faziam diversos movimentos corporais. E a camiseta ela é um pouco mais aberta, pois elas reclamavam do desconforto, devido as peças serem apertadas. Já as cartelas de cores foram baseadas nas cores violetas e lilás, de acordo com o livro “psicologia das cores”, representavam força, o que nomeia a coleção: “Fortia”, ou “Força”, se traduzido do latim.

O 5° semestre trabalhou com o tema de Moda e Desenvolvimento Sustentável, onde quiseram sair da mesmice e trabalhar com crianças de 3 a 6 anos e perceber como elas lidam com as intempéries de São Paulo. 

Criaram, então, a coleção chamada Pequenos Monstrinhos, na qual trabalharam com resíduos têxteis achados em brechós de forma sustentável e criaram peças de upcycling com esses resíduos. Todas as peças da coleção foram com tecido de reuso, menos o tricoline que foi para imprimir uma estampa com todos os monstrinhos juntos.

O grupo, após pesquisa com as crianças perceberam que elas não entendem muito bem e não gostam de conceitos abstratos, então resolveram criar um monstrinho para cada problema que essas crianças poderiam enfrentar (crescimento, movimento, clima…). Sendo assim, muito atrativo e confortável para as crianças e extremamente sustentável para o Planeta.

O último grupo que entrevistamos foi do 6° semestre, onde trabalharam com o tema de Moda e Inclusão Social, que deveriam trabalhar com foco em corpos invisíveis.

 Com o título de “O Essencial é Invisível aos Olhos”, trabalharam com deficientes visuais, pois perceberam que esse grupo específico não tinha problemas para encontrar roupas, apenas não entendiam como eram essas roupas e por isso, muitas vezes, comprar roupas tornava-se um evento, uma coisa muito difícil.

Para facilitar e incluir esse grupo na sociedade como tal, o grupo criou um “Lookbook” em braille, croquis com linhas nos formatos das roupas e textura no material gráfico. Todas as peças da coleção possuem uma “tag” com informações sobre tamanho, cor, e o tecido referente a peça. Assim, seria mais acessível e fácil às pessoas com deficiência visual comprar roupas e entender o que estão vestindo.

Moda e Cinema: a importância do figurino

A moda sempre foi o reflexo das ações da humanidade e o cinema, teatro e novelas são a vitrine disso tudo. O cinema, considerado a sétima arte, nos mostra histórias, revela costumes e comportamentos. Portanto, podemos dizer que moda e cinema se entrelaçam.

Figurinistas e estilistas se espelham muito nos trabalhos uns dos outros para saber o que o mercado está pedindo.
Como no caso do filme “Bonequinha de Luxo”, onde o figurinista e estilista Hubert de Givenchy introduziu o famoso pretinho básico no guarda-roupa da personagem e 50 anos depois ainda é símbolo de elegância.

Outra influência, desta vez mais recente, foi do filme Avatar, que influenciou em formas, cores, textura e estampas na coleção primavera-verão de Alexander McQueen em 2010.

O figurino é um traje “mágico” pois possibilita que o artista se transforme em outra pessoa por determinado tempo. Ele não se resume apenas na roupa em si, é composto por cabelo, maquiagem e acessórios. Com um valor simbólico em cada detalhe.

Conhecida por ter inspirado a personagem Edna Mode em “Os Incríveis”, Edith Head trabalhou em vários filmes, Edith Head, recebeu 35 indicações ao Oscar, trabalhou em 11 filmes de Alfred Hitchcock, além de criar o figurino para 3 filmes de Audrey Hepburn e diversos outros artistas.

Considerada mestre dos vestidos, Edith Head, recebeu 35 indicações ao Oscar, trabalhou em 11 filmes de Alfred Hitchcock, além de criar o figurino para 3 filmes de Audrey Hepburn e diversos outros artistas. Seu principal filme foi, “Um Lugar ao Sol” (1952), onde trabalhou com Elisabeth Taylor e desenhou um vestido de tule branco, sendo uma das peças mais copiadas do cinema.

Outro figurino foi o de Audrey Hepburn em “A Princesa e o Plebeu” (1954), onde Edith se espantou com as medidas magras da atriz, mas ainda assim desenhou todos seus figurinos usados no filme, no qual levou seu quinto Oscar.

Outros exemplos de vestidos elogiados pela crítica foi do filme “O Ladrão de Casaca” (1955) usado por Grace Kelly, dirigido por Alfred Hitchcock.

Recentemente, o filme Pantera Negra (2018), ganhou o Oscar de Melhor Figurino, onde Ruth E. Carter se tornou a primeira mulher negra a vencer o Oscar de melhor figurinista. O usuário do Twitter, Somali Waris Duale criou um guia juntando fotos do próprio filme com fotos de tribos reais, para ilustrar o quanto o filme é realístico.

Dos discos nos lábios, tradicionais principalmente de tribos da Etiópia, passando por chapéus Zulu (usados pela rainha Ramonda no filme) utilizados em cerimônias pelas mulheres Zulu, além de mantos e outros ornamentos – cada uma dessas tradições influenciou ou foi diretamente traduzida para as vestimentas e figurinos dos personagens no filme.

Revela-se um profundo e belíssimo trabalho de pesquisa, que não só celebra as ricas estéticas de tais povos, como também aponta e significa não só a raiz do personagem, como o sentido profundo da afirmação da própria cultura negra que “Pantera Negra” realiza.

Com isso, é importante destacar que tanto o cinema quanto a moda constituem signos, linguagens, imagem e identidade capazes de reproduzirem uma época inteira.

Referências:

http://www.audaces.com/cinema-e-moda-a-importancia-do-figurino/

http://pordentrodamodabymarinact.blogspot.com/2012/08/edith-head-figurinista-lendaria-da.html?m=1

Moda e Arte: Uma sinergia

A palavra moda significa maneira, o modo como as pessoas vivem. Está diretamente relacionada à maneira de vestir. Através das roupas, transmitimos humor, bem-estar, posição social, seriedade, formalidade, intenções, religião. Enfim, a nossa identidade.

Já a arte, significa técnica e/ou habilidade. Geralmente é entendida como a atividade humana ligada à manifestações de ordem estética, realizada a partir (da ligação) de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias nas pessoas que assistem ou observam. Moda e Arte são formas de expressão pela as quais autores transmitem seus desejos, o “Mood”, as sensações e os sentimentos através da obra.

Como podemos ver nas coleções da estilista Elsa Schiaparelli, a italiana e maior rival da famosa estilista Coco Chanel. Schiaparelli era autodidata e não tinha formação em moda, o que era motivo de escárnio  da concorrente, pois enquanto Schiap fazia modelos exóticos que demonstravam liberdade e diversão, Chanel revolucionava o básico e criava roupas funcionais para a mulher moderna.

Existe todo um processo por trás das suas coleções: a escolha das cores, as estampas, os shapes, tudo está relacionado com o movimento Surrealista, que teve como um de seus principais representantes na pintura Salvador Dalí.

The Circus Collection (1938) – The Victorias and Albert museum

Ela o contratou para criar alguns de seus acessórios e tecidos.  Procurando tornar as roupas engraçadas em sintonia com o pensamento surrealista. Sua colaboração com Dali produziu o vestido costeleta para a criação Circus, com cavalos, elefantes ou acrobatas no trapézio bordados nas peças – com os boleros com botões de cabeça de palhaço e o chapéu em forma de sorvete.

Ou seja, uma das possíveis e mais frequentes relações da moda com a arte, é a aproximação de peças de moda do universo artístico, por meio de colaborações e parcerias que não transformam a moda em arte, mas arte em moda. Cores, textura e símbolos vistos em obras de arte desde a antiguidade até a contemporaneidade, sempre serviram de inspiração para a criação de vestuário e acessórios.

Vestido Lobster (1937)
Vestido de Lágrima (1938)

Em 1937, Elsa atingiu seu ápice no uso de imagens surrealistas. Dali criou o tecido para o famoso vestido “Tears”, desenhado-o para dar a ilusão de carne animal rasgada em forma de lágrimas, e a estampa de lagosta. Dentre as principais contribuições de Dali com Elsa são: Vestido Lobster.

Vestido Esqueleto (1938)

Um dos grandes destaques da coleção de Verão de 1938, teve a forma de um elegante vestido de noite, o Vestido Esqueleto. Feito de crepe de seda preta, tendo espinha e costelas, produzidas com o método de acolchoamento triponto. Os “ossos” da perna ligados à “pélvis” com ganchos elegantes no estilo dos elos de joalheria. Foi apresentado com um véu preto coberto por um enfeite de cabeça em forma de concha dourada. 

Por fim, seu relacionamento com a comunidade artística era bom para ambas as partes e lhe rendia não só desenhos inovadores, como espaço nas colunas sociais.

Esse é um exemplo claro no qual podemos observar a moda e a arte se complementando e caminhando juntos. Ambos os artistas transmitem e expressam seus desejos, sensações, estado de espírito, sentimentos através de suas obras.

Elsa enxergava a moda como uma expressão artística, assim como a estilista contemporânea Iris van Herpen, que é conhecida por usufruir da herança estética das vanguardas e por fazer o mix do barroco e do futurismo, que ela costuma apresentar durante a Semana de Alta Costura de Paris. É como se “vestisse arte”, não como se as peças fossem apenas roupas funcionais desprovidas de conteúdo, sendo um objeto meramente comercial. Ela tinha uma íntima ligação com a arte e achava que o conjunto arte e moda era uma poderosa sinergia, uma “arte-usável”. Ela revolucionou a alfaiataria com esse seu ar e respeito às belas artes. Percebeu, também, que a moda e arte podem conversar entre si e, com isso, inventou novos métodos para a criação de estampas e métodos de costura.

Ela também introduziu o zíper ao vestido, o crepe de seda, o celofane e a fibra sintética, além de ter criado a cor pink (rosa shocking), uma das cores mais importantes das coleções de moda dos dias atuais. Suas roupas foram criadas para destacar quem as vestiam e impressionar os espectadores; e ela acreditava que a moda não podia estar longe das artes contemporâneas, principalmente as pinturas. Ou seja, era uma provocadora que gostava de desafiar conceitos comuns de vestimentas.

Referências:

https://medium.com/neworder/moda-e-arte-baea197e4ffa

https://artsandculture.google.com/exhibit/1QLSabXbe04rJw?hl=pt-BR

https://www.audaces.com/moda-e-surrealismo-estilo-inconfundivel-de-elsa-schiaparelli/

Quem somos nós?

Este é um blog criado pelos alunos Beatriz Parizotto, Ian Sampaio, Nathalia Ribeiro e Thais Lopes, do primeiro semestre do curso de Design de Moda da Universidade Anhembi Morumbi.

O principal intuito deste blog e suas postagens, é expor todo um conteúdo que tenha uma informação totalmente útil para agregar no seu conhecimento quando falamos de Moda e Identidade Cultural e todos os assuntos que englobam esse tema.