Moda e Arte: Uma sinergia

A palavra moda significa maneira, o modo como as pessoas vivem. Está diretamente relacionada à maneira de vestir. Através das roupas, transmitimos humor, bem-estar, posição social, seriedade, formalidade, intenções, religião. Enfim, a nossa identidade.

Já a arte, significa técnica e/ou habilidade. Geralmente é entendida como a atividade humana ligada à manifestações de ordem estética, realizada a partir (da ligação) de percepção, emoções e ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias nas pessoas que assistem ou observam. Moda e Arte são formas de expressão pela as quais autores transmitem seus desejos, o “Mood”, as sensações e os sentimentos através da obra.

Como podemos ver nas coleções da estilista Elsa Schiaparelli, a italiana e maior rival da famosa estilista Coco Chanel. Schiaparelli era autodidata e não tinha formação em moda, o que era motivo de escárnio  da concorrente, pois enquanto Schiap fazia modelos exóticos que demonstravam liberdade e diversão, Chanel revolucionava o básico e criava roupas funcionais para a mulher moderna.

Existe todo um processo por trás das suas coleções: a escolha das cores, as estampas, os shapes, tudo está relacionado com o movimento Surrealista, que teve como um de seus principais representantes na pintura Salvador Dalí.

The Circus Collection (1938) – The Victorias and Albert museum

Ela o contratou para criar alguns de seus acessórios e tecidos.  Procurando tornar as roupas engraçadas em sintonia com o pensamento surrealista. Sua colaboração com Dali produziu o vestido costeleta para a criação Circus, com cavalos, elefantes ou acrobatas no trapézio bordados nas peças – com os boleros com botões de cabeça de palhaço e o chapéu em forma de sorvete.

Ou seja, uma das possíveis e mais frequentes relações da moda com a arte, é a aproximação de peças de moda do universo artístico, por meio de colaborações e parcerias que não transformam a moda em arte, mas arte em moda. Cores, textura e símbolos vistos em obras de arte desde a antiguidade até a contemporaneidade, sempre serviram de inspiração para a criação de vestuário e acessórios.

Vestido Lobster (1937)
Vestido de Lágrima (1938)

Em 1937, Elsa atingiu seu ápice no uso de imagens surrealistas. Dali criou o tecido para o famoso vestido “Tears”, desenhado-o para dar a ilusão de carne animal rasgada em forma de lágrimas, e a estampa de lagosta. Dentre as principais contribuições de Dali com Elsa são: Vestido Lobster.

Vestido Esqueleto (1938)

Um dos grandes destaques da coleção de Verão de 1938, teve a forma de um elegante vestido de noite, o Vestido Esqueleto. Feito de crepe de seda preta, tendo espinha e costelas, produzidas com o método de acolchoamento triponto. Os “ossos” da perna ligados à “pélvis” com ganchos elegantes no estilo dos elos de joalheria. Foi apresentado com um véu preto coberto por um enfeite de cabeça em forma de concha dourada. 

Por fim, seu relacionamento com a comunidade artística era bom para ambas as partes e lhe rendia não só desenhos inovadores, como espaço nas colunas sociais.

Esse é um exemplo claro no qual podemos observar a moda e a arte se complementando e caminhando juntos. Ambos os artistas transmitem e expressam seus desejos, sensações, estado de espírito, sentimentos através de suas obras.

Elsa enxergava a moda como uma expressão artística, assim como a estilista contemporânea Iris van Herpen, que é conhecida por usufruir da herança estética das vanguardas e por fazer o mix do barroco e do futurismo, que ela costuma apresentar durante a Semana de Alta Costura de Paris. É como se “vestisse arte”, não como se as peças fossem apenas roupas funcionais desprovidas de conteúdo, sendo um objeto meramente comercial. Ela tinha uma íntima ligação com a arte e achava que o conjunto arte e moda era uma poderosa sinergia, uma “arte-usável”. Ela revolucionou a alfaiataria com esse seu ar e respeito às belas artes. Percebeu, também, que a moda e arte podem conversar entre si e, com isso, inventou novos métodos para a criação de estampas e métodos de costura.

Ela também introduziu o zíper ao vestido, o crepe de seda, o celofane e a fibra sintética, além de ter criado a cor pink (rosa shocking), uma das cores mais importantes das coleções de moda dos dias atuais. Suas roupas foram criadas para destacar quem as vestiam e impressionar os espectadores; e ela acreditava que a moda não podia estar longe das artes contemporâneas, principalmente as pinturas. Ou seja, era uma provocadora que gostava de desafiar conceitos comuns de vestimentas.

Referências:

https://medium.com/neworder/moda-e-arte-baea197e4ffa

https://artsandculture.google.com/exhibit/1QLSabXbe04rJw?hl=pt-BR

https://www.audaces.com/moda-e-surrealismo-estilo-inconfundivel-de-elsa-schiaparelli/

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